Carta Tamareira especial
CARTA MANIFESTO
Capítulo 4/5
“A Redistribuição de Terras como Reparação”
“A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra.”
A terra foi o primeiro patrimônio roubado dos africanos.
Antes do chicote, veio a expropriação, a perda do território, da identidade, da autonomia.
O Brasil tem uma das maiores concentrações de terras do mundo: 1% dos proprietários detém 50% das terras agricultáveis.
Enquanto isso, comunidades quilombolas lutam por décadas pela titulação de seus territórios, outros sobrevivem em favelas e comunidades e até mesmo em situações sem moradias. Nesses cenários somos a maioria explícita.
A redistribuição de terras é uma proposta de amortização da dívida histórica.
Destinar terras públicas para afrodescendentes é parte significativa da justiça moral e social neste pais.
Cada hectare destinado é um ato de reparação. Cada título de posse entregue é um reconhecimento e quitação da dívida.
A redistribuição exige vontade política, desapropriação de terras improdutivas, regularização fundiária e participação comunitária.
Não é uma proposta nova.
Movimentos quilombolas e o MST lutam por isso há décadas.
O que falta não é proposta, é pressão, é organização, é a certeza de que a terra é o primeiro passo para a autonomia.
Os princípios e fundamentos da CONEBRAS apoiam a redistribuição de terras como uma das urgências de reparação histórica.
Não como favor, mas como pagamento de dívida.
Não queremos ouvir desculpas e nem pedido de perdão ensaiado e editado.
Que comecemos pelas terras da União, pelas terras devolutas, pelas áreas que o Estado não usa e que a irmandade precisa.
CONEBRAS REUNINDO FORÇAS
Nós por Nós Mesmos, sem depender de Ninguém.
Macota Tata Hoji
Sou a semente de Tâmara, quando a tempestade passar estarei lá!