Carta Tamareira especial – CAPÍTULO 1/5

Carta Tamareira especial.

CARTA MANIFESTO – CAPÍTULO 1/5

“A Dívida que o Brasil ainda não pagou”
“A dívida que não se paga não desaparece. Ela cresce.”

I. A pergunta que não quer calar: vai pagar quando?

O Brasil é a 9ª maior economia do mundo. Mas essa posição foi construída sobre o trabalho não remunerado de milhões de africanos escravizados por 354 anos (1534–1888). A dívida, calculada com base nos mesmos critérios usados pela Alemanha para reparar os judeus, chega a R$ 734.826,12 por mês por afro-brasileiro**.
Isso equivale a **R$ 88,8 trilhões por mês — ou 8.376% do PIB mensal do Brasil.

O Brasil não pode pagar essa dívida. Mas pode começar a reconhecê-la.

II. O que os judeus recebem

A Alemanha paga reparação aos judeus desde 1952. O valor mensal por sobrevivente é de R$ 2.075,78. Os judeus sofreram por 4 anos (1941–1945).

Os africanos escravizados sofreram por 354 anos (1534–1888). Se o valor é proporcional ao tempo de sofrimento, cada afro-brasileiro deveria receber R$ 734.826,12 por mês.

Multiplicado por 120,8 milhões de afro-brasileiros (57% da população), o valor mensal da dívida é de R$ 88,8 trilhões.

III. O que isso significa

O PIB mensal do Brasil é de R$ 1,06 trilhão. A dívida mensal é 8.376% do PIB.

O Brasil não pode pagar essa dívida. Mas pode começar a reconhecê-la. Reconhecer a dívida é o primeiro passo para a reparação. Não como um pagamento financeiro impossível, mas como um compromisso com a reparação estrutural: investimentos massivos em infraestrutura, educação, saúde e economia nas periferias onde se encontram a maioria dos afro-brasileiros.

IV. O chamado

O Brasil precisa deixar de ser um devedor permanente. A cada ano que passa, a dívida cresce. Se hoje os afro-brasileiros são pobres, é porque quem deve não pagou aos credores.

Se o Brasil é a 9ª potência econômica do mundo, é graças ao que deve aos negros. Então, nós, os negros, como credores, somos a 9ª potência mundial. E assim declaramos que é preciso amortizar esta dívida urgentemente. A melhora da qualidade de vida da população afro-brasileira implica na melhor sociedade para todos.

“O Brasil não pode pagar. Mas pode reconhecer. E reconhecer é o primeiro passo para reparar.”

CONEBRAS REUNINDO FORÇAS
Nós por Nós Mesmos, sem depender de Ninguém.

Macota Tata Hoji
Sou a semente de Tâmara, quando a tempestade passar estarei lá!


(Está reflexão é de única responsabilidade do autor.)

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